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Pró-Saúde / Pet-Saúde

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Relatório de vivência na Unidade de Acidente Vascular Cerebral (UAVC)

Relatório de vivência na Unidade de Acidente Vascular Cerebral (UAVC) do Hospital Risoleta Tolentino Neves (HRTN) em 2014

 

O Programa de Educação pelo Trabalho para Saúde/ Redes de Urgência e Emergência (PET-Saúde/RUE) é um programa criado para viabilizar o aperfeiçoamento e especialização em serviço dos profissionais da área da saúde.  Sabe-se que, atualmente, a vivência e a experiência adquiridas pelos acadêmicos da UFMG, no setor de urgência e emergência, ainda são deficientes para a aquisição das habilidades necessárias aos graduandos no momento do atendimento ao paciente. Diante disso, nota-se a importância de um Programa como este que tem como fio condutor a integração entre serviço-saúde-comunidade.

Durante a participação no Programa, as acadêmicas acompanharam a rotina dos profissionais de alguns setores do HRTN, dentre eles: a UAVC do 5º andar/ ala B, a triagem, a sala amarela, emergência, a corrida de leito no trauma/ 4º andar, a internação, o bloco cirúrgico, a farmácia, a laboratório do hospital, a maternidade e a ouvidoria.      

As preceptoras das estudantes são enfermeiras responsáveis pela supervisão de enfermagem da UAVC, o que permitiu uma vivência maior na Unidade com a equipe multiprofissional. Acompanhou-se a rotina de fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, assistentes sociais, farmacêuticos, nutricionistas e psicólogos.

No processo de observação e vivência as acadêmicas acompanharam o fluxo de pacientes e de procedimentos no HRTN agregando conhecimento e experiências. Pôde-se perceber que a recuperação do paciente não depende somente da prescrição de medicamentos, mas também, da assistência humanizada e integrada realizada pelos profissionais da saúde. O êxito do tratamento e conduta depende da interação multiprofissional, da adesão e da colaboração dos pacientes no processo de reabilitação.

A participação no grupo PET-Saúde/RUE está sendo de suma importância para a formação profissional e pessoal.  No Programa, elas tiveram a oportunidade de conhecer e aprender melhor sobre o SUS, acompanhar equipes de diversas áreas da saúde e propor melhorias para o sistema a fim de promover um atendimento de qualidade à comunidade que utiliza o serviço.

Acadêmicas: Fernanda Scaramussa e Tamires Pedrosa.

Relatos de Experiência

 

Neste primeiro semestre de projeto (2013-2) já foram vivenciados nos 3 cenários (Centro de Saúde Andradas, Hospital Risoleta Tolentino Neves e Hospital João XXIII) as seguintes atividades:

 

- no mês de Setembro/2013 – acompanhamento e discussão sobre o acolhimento e classificação de risco nas portas de entrada dos hospitais e centro de saúde

 

- no mês de Outubro/2013 – acompanhamento e discussão sobre a integralidade da atenção

 

- no mês de Novembro/2013 – acompanhamento e discussão sobre a interdisciplinaridade na saúde com seleção de casos vivenciados durante o mês.

 

- Reunião em Dezembro/2013 – para apresentação da discussão sobre interdisciplinaridade em saúde através da apresentação e discussão dos casos vivenciados no mês de novembro.

 

Ao final de cada mês realizamos uma reunião conjunta entre tutora, preceptores e alunos onde discutimos, subsidiados pela leitura de um ou mais textos sobre os temas, as  vivências experimentadas pelos alunos/preceptores no mês anterior. Temos utilizado muito o relato das experiências  assim como a discussão por meio de casos clínicos acompanhados neste período. Tem sido uma produção muito interessante e profícua estes momentos coletivos.

 

Relatamos, a seguir, a última reunião conjunta e o produto deste trabalho realizado:

 

1)      REUNIÃO DIA 10/12/2013 - INTERDISCIPLINARIEDADE NA SAÚDE

Em 10 de Dezembro de 2013 a tutora, Professora Alzira de Oliveira Jorge, os preceptores dos três cenários de vivência e os alunos do PET Saúde Rede de Atenção às Urgências-RUE/SOS Emergências (PET RUE/SOS Emergências) reuniram para discutir os conceitos de trabalho e equipe interdisciplinar em saúde.

A metodologia utilizada foi a apresentação de estudos de caso vivenciados com discussão e embasamento teórico do artigo Apoio Matricial e Equipe de Referência: Uma Metodologia para a gestão do Trabalho Interdisciplinar em Saúde (CAMPOS & DOMITTI, 2007).

As apresentações foram iniciadas pelas alunas que estão vivenciando o cenário do Hospital e Pronto Socorro João XXIII. Elas apresentaram dois casos, sendo um real e outro fictício, fazendo assim uma comparação entre semelhanças e divergências entre eles. O caso fictício se tratava de um paciente diabético e hipertenso sem adesão ao tratamento e que, após discussão do caso entre as várias equipes envolvidas, de apoio matricial e de referência, e destes com o paciente, este aderiu ao tratamento. As alunas propuseram um Projeto Terapêutico Singular (PTS) para o caso vivenciado (real) tendo em vista o caso exemplificado (fictício) e as várias fragmentações observadas no cuidado do paciente na emergência e com a rede assistencial. Os dois casos envolviam usuários do Sistema Único de Saúde que acessaram um serviço Urgência/Emergência em acometimentos agudizados das comorbidades e que não tinham adesão ao tratamento. O caso fictício proporcionou a reflexão sobre a Atenção Primária a Saúde (APS) como gestora do cuidado e o caso real proporcionou uma reflexão sobre a valorização de comorbidades patológicas em detrimento da complexidade da situação psicossocial apresentada. Ressaltaram a importância de diálogo efetivo entre os profissionais para além do prontuário e a articulação deste serviço com outros serviços de apoio e necessidade da estruturação psicológica e social deste usuário, que foi acometido por um Trauma Raquimedular (TRM) após uma tentativa de autoextermínio.

A apresentação dos alunos que estão vivenciando o PET Saúde no Hospital Risoleta Tolentino Neves envolveu um caso de paciente adulto jovem previamente acometido por um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que evoluiu para uma situação fora de possibilidade terapêutica. Foram indicados cuidados paliativos devido a essa evolução, mas com pouca aceitação inicial pelos familiares, principalmente pela mãe. Os alunos perceberam que após definição do cuidado paliativo os atendimentos das equipes de apoio matricial reduziram, no entanto, os cuidados e o envolvimento da equipe de referência não se modificou, e que devido à longa permanência do paciente na instituição hospitalar, o vínculo entre a equipe e entre os profissionais e os familiares era cada vez mais ampliado.  Ressaltaram a falta de contra referência para a APS por parte da instituição hospitalar, dificultando o entendimento do processo de vida e cuidado deste paciente. Após a apresentação foram discutidas as possibilidades de outras alternativas de modelo assistencial em locais como em Serviço de Atenção Domiciliar ou em hospital de cuidados prolongados, diminuindo assim a ocupação dos leitos das portas de entrada hospitalares e melhorando a retaguarda para as urgências e emergências.

Os alunos que estãovivenciando a APS no Centro de Saúde Andradas, na região norte de Belo Horizonte, apresentaram o caso de um paciente masculino com 61 anos, hipertenso, diabético, com insuficiência renal crônica e obeso, porém ainda não dialítico. Relatam que foi solicitada uma visita domiciliar da Equipe de Saúde da Família (ESF) ao paciente pois o mesmo estava confuso. A chegada da equipe ao domicílio encontrou o paciente com fala arrastada, confuso, e há cerca de 4 dias com restrição do membro superior direito, sugerindo um AVC. Perceberam que este paciente era acompanhado por vários especialistas com apoio matricial, porém o diálogo entre os profissionais era ineficaz e, da mesma forma, entre estes e a ESF. Apresentaram também o caso de um paciente acamado que necessitava de cuidados domiciliares com visitas da ESF. Este paciente tem uma boa estrutura familiar com todos os filhos envolvidos no processo de cuidado. No entanto, em uma das visitas realizadas, um profissional da equipe percebeu que a esposa estava excluída do cuidado prestado ao marido. A equipe discutiu tal situação e, posteriormente, chamaram a esposa para uma conversa e perceberam a insatisfação com a sua exclusão no cuidado que, anteriormente, era prestado apenas por ela. Todo este movimento, de percepção e discussão em equipe, provocou mudanças na assistência ao idoso com inclusão da esposa e melhor e mais adequada articulação do trabalho e cuidado da equipe e família.

Os estudos de caso discutidos permitiram visualizar os arranjos possíveis e necessários de um trabalho em equipe e interdisciplinar para uma assistência integral e em rede. Entraves como diálogos somente em prontuários, inobservância de aspectos essenciais como a participação do sujeito e seus familiares, e a falta de disposição a um processo comunicacional mais democrático e cooperativo prejudicam o trabalho interdisciplinar. Pontos facilitadores para a interdisciplinaridade foi observado em todos os casos apresentados, o que permitiu a reflexão de que é possível mudar as relações entre os profissionais, tornando-a efetivamente interdisciplinar, ou seja, cada vez mais cooperativa e solidária.

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